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Os Famosos e os Duendes da Morte (2010 – 101 min)

Direção: Esmir Filho

Roteiro: Esmir Filho e Ismael Canepelle, baseado no romance de mesmo nome e autor;

Elenco: Henrique Larré, Ismael Caneppele, Tuane Eggers, Samuel Reginatto, Áurea Baptista

Com o crescimento da nova onda de adolescentes alegres seguidores de Restart, vieram também aqueles com o repúdio a tal movimento. “Jovens vazios, sem a tal complexidade da adolescência”, dizem. E se os primeiros têm “Malhação”, como fonte de empatia e entretenimento, agora, os dito b-siders têm “Os Famosos e os Duendes da Morte”.

Fugindo dessa frívola discussão – mas afirmando o fato –, o filme de Esmir Filho traz consigo o poder de retrato de um lugar-comum para muitos adolescentes brasileiros. Interioranos, com seus castelos virtuais, amores platônicos e complexidades lynchnianas: são essas as características de tal camada social. A abundância de perguntas e a falta de respostas. Mr. Tambourine Man (Henrique Sarré), nosso personagem melancólico, descarrega em seu blog todas as suas angústicas: abre mão de uma realidade física para uma utopia tecnológica. Lá, ele é um blogueiro admirado por alguns – como podemos ver nas conversas de msn -, aqui, tem de lidar com a solidão de sua mãe que conversa com a cachorra.

Contudo, a trama não é um simples retrato de uma geração que cresce fora do plano físico: há uma estória maior, um mistério maior. Ao decorrer do longa, somos introduzidos à vídeos desconexos em que vemos a personagem Jingle Jangle: linda, misteriosa, e com requintes indie – não estou descrevendo uma deusa de nerds, juro. Há também um misterioso homem que persegue e admira de longe Mr. Tambourine e seu amigo. Porém é no desenrolar de tal trama é que começam alguns pequenos erros.

O roteiro foi baseado no romance de mesmo nome de Ismael Canepelle, e adaptado pelo mesmo em parceria com o diretor Esmir Filho. E logo observamos: já fica claro nos trinta minutos do que se trata tal mistério outrora mencionado. E depois de descoberto, algumas seqüências se tornam desnecessárias. E são em tais seqüências que me deparo com algumas perturbações: inúteis, prejudicam a beleza da trama, como por exemplo, a masturbação do garoto no banheiro. Outras são por iguais desconexas, porém, belas – como a pintura do muro de branco, apagando os desenhos.

A atração maior fica por conta dos personagens construídos. Toda a complexidade da adolescência é retratada de forma soberba, e vivida com a mesma qualidade pelos atores. Para quem viveu em tal período, e passou por tais situações – acredito que todos que nasceram de 1990 em diante -, é difícil não sentir uma grande empatia. E é pelo mesmo motivo que talvez o filme não tenha alcançado proporções maiores. Sem entender os intransmissíveis dilemas, alguns podem tratar com escárnio certas situações.

Por fim, resta-me falar da fotografia soberba, da bela trilha sonora e da delicadeza enorme ao tratar-se do assunto. É uma prova da diversidade de culturas adolescentes para os que ainda os tratam como coloridos fãs acéfalos de Restart. Lamento não ter um lugar para uma possível ida ao Oscar. Mas espero que o filme sirva de pontapé para as produções brasileiras sem pré-conceitos e estilizações.

 

Nota: 8,0

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Greenberg (2010, 107 min) *Sem previsão de estréia no Brasil

Direção: Noah Baumbach

Roteiro: Noah Baumbach

Elenco: Ben Stiller, Jeniffer Jason Leigh, Rhys Ifans, Dave Franco, Juno Temple

 

Antes de aqui proferir minhas opiniões acerca do filme, devo avisá-lo, amigo leitor: este que vos fala é fã do diretor em questão. Portanto, por mais que eu tente mascarar meu gosto com uma falsa imparcialidade, estarei fadado a ter minhas opiniões questionadas devido à minhas preferências. Porém, não desqualifique tudo. O fato da minha preferência não me deixará cego, como exemplo, sou fã de Martin Scorsese, mas não consigo gostar de “Cabo do Medo”. Agora que lhe avisei, posso dar continuidade a esta resenha.

Greenberg, novo longa de Noah Baumbach, que assina o roteiro e dirige, conta a história de Roger Greenberg (Ben Stiller), um nova-yorkino que vai passar um tempo na casa de seu irmão em Los Angeles, enquanto este está viajando. Lá ele reencontra os velhos amigos e membros da sua ex-banda e vê que os tempos mudaram e eles não continuam necessariamente a serem os melhores amigos. Greenberg começa assim a partilhar o tempo livre com a assistente do seu irmão, Florence (Jeniffer Jason Leigh), aspirante a cantora e também uma errônea em se tratando de relacionamentos.

Baumbach tratou o relacionamento entre pais e filhos e suas conseqüências em “A Lula e a Baleia”, em Greenberg ele trata do processo de envelhecimento dos seus personagens. Roger Greenberg com seus 41 anos ainda vive no seu passado. Em Los Angeles, ele procura ex-companheiros de banda, sua ex-namorada e reata assuntos a muito deixados para trás. Misantropo, Roger mantém um semblante de homem difícil, mas no fundo, conseguimos captar todo o sentimentalismo nele presente. Enquanto na juventude, Roger fora um integrante de banda cortejado pelas garotas, e credor de que aquele status duraria para sempre, e ter de viver em sendo apenas um carpinteiro rejeitado por todos é algo perturbador para ele. Mantendo esse clima saudosista, o longa explora muito bem o lado desse personagem, e não só num âmbito pessoal – restrito à sua vida-, em certo momento da trama, Roger discute com os jovens presentes numa festa, indagando seus valores e diferenças para com sua época. Pode parecer que todo o argumento do filme é centralizado num personagem só, mas não é verdade. Florence também tem o seu quinhão na personalidade que o longa carrega. Certo momento da trama, Florence conta a história de quando fingiu ser uma garota fútil, escondendo seu real desejo de apenas se relacionar.

Com um roteiro muito bem escrito, Baumbach conta com o apoio do produtor musical e líder do LCD Soundsystem, James Murphy, na composição da trilha sonora. Que para manter o clima saudosista utiliza, além de composições de sua autoria, faixas de bandas oitentistas como Duran Duran. O elenco também está muito bem dirigido. O britânico Rhys Ifans interpreta o único ex-companheiro de banda que ainda mantém contato e uma amizade com Greenberg. Em certos momentos, captamos a frustração que este personagem tem ao não obter o sucesso tão sonhado em sua juventude. Ben Stiller nos mostra mais uma vez que também se dá muito bem com dramas – já havia comprovado tal afirmação em “Os Excêntricos Tenenbaums”, do amigo de Baumbach, Wes Anderson.

A tragicomédia mantém tênue a linha entre o riso e o choro. A comédia está presente, principalmente, nos momentos paranóicos e complexos de Greenberg. E o drama fica por conta desse clima nostálgico de um tempo que não volta, uma oportunidade única não tomada, esperança perdidas… E mesmo com algumas falhas e momentos tediosos, ao todo a obra se mostra vigorosa e dotada de um ótimo ritmo. O filme, junto com Mr. Nobody,é uma das grandes perdas para o público brasileiro que ainda não tem expectativas de vê-los nos cinemas do país.

 

Nota: 9,5

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Kick-Ass – Quebrando Tudo (Kick-Ass; 2010 – 117 min)

Direção: Matthew Vaughn

Roteiro: Matthew Vaughn, Jane Goldman, Mark Millar

Elenco: Aaron Johnson, Chloe Moretz, Nicolas Cage, Mark Strong, Christopher Mintz-Plasse, Clark Duke, Evan Peters, Lyndsy Fonseca, Jason Flemyng

Começo esse post confessando que foi difícil conceber a idéia sobre o que escrever sobre esse filme. Tanto que o assisti três vezes. Considero os “blockbusters”, filmes difíceis de escrever sobre, já que a maior diferencial são as cenas de ação e o deleite visual por ela proporcionado. Infelizmente, e contrariando vários blogs encontrados na rede, vou contra a maré, e mesmo após assistir três (!) vezes o filme, não encontro o ponto que levou a cativar tanta gente. Não que eu o considere ruim, longe disso. É bom naquilo que se propõe a fazer, mas se propõe a ser pouca coisa.

A história, alvo de muitos elogios não passa de lugares-comuns seguidos de outros lugares-comuns. Um jovem indiferente aos costumes de sua sociedade, vê nos sonhos de ser um super-herói, a chance de se mostrar diferente, fazer diferente. Pois se torna o herói Kick-Ass (Aaron Johnson). Logo nas primeiras cenas, é abatido. Um confronto da fantasia juvenil do garoto, com a realidade das ruas. Em paralelo ao surgimento de Kick-Ass, nos é apresentado Franck D’Amico (Mark Strong), poderoso traficante da cidade, e seu filho, Chris D’Amico (Cristopher Mintz-Plasse) – o eterno McLovin; e também Damon “Big Daddy” Macrady (Nicolas Cage), que busca vingança contra Franck, e sua extraordinária filha Mindy “Hit Girl” Macready (Chloe Moretz), uma garota criada para matar, contrastando sua pouca idade com seu espírito assassino. Seguindo os acontecimentos, acasos por acasos, a fama de Kick-Ass vai crescendo, e no mesmo momento que tem de lidar com os casos de super-herói, tem também o possível surgimento de um relacionamento amoroso.

O dilema existencial apresentado pelo filme é resolvido com uma solução simples e infantilóide. Vista sua máscara, e enfrente por você seus problemas. Mesmo que no caso do herói, o acaso o salva, sempre. E para construir a máscara, o herói, o personagem busca em resquícios infantis de sua adolescência o estereótipo de super-herói dos quadrinhos. Entendeste o discurso? Ele tenta resolver o dilema existencial, a falta de compaixão – ou seria coragem? – dos outros ao verem as injustiças sendo cometidas e ficarem calados. Sei que não se leva a sério tal discurso, mas prejudica o filme. A filosofia, e os argumentos baratos não convencem.

Mas se o roteiro peca, a montagem e as cenas de ação recompensam. Tudo embalado por uma trilha sonora que envolva e intensifica. Como a cena em que a personagem Hit Girl, embalada ao som de “Bad Reputation” da eterna Joan Jett, passa pelo corredor batendo nos bandidos. Bem ao estilo da personagem. Outro ponto é a comédia presente no filme. Cenas cômicas são o que não faltam. Mesmo quando levadas ao absurdo. Na verdade, é isso o que chama atenção. E se você, que gostou do filme não parou de ler até aqui, pararia se agora eu não comentasse de Chloe Moretz. Impossível não falar da garota que solta as melhores pérolas o filme inteiro. Teoricamente impossibilitada de assistir ao filme devido à censura, a garota esbanja carisma ao personificar Hit Girl. Nicolas Cage também vale uma menção honrosa. O ator é o mais caricato, com seu personagem aos moldes de Batman, que em parceria de sua filha, formam uma cômica dupla heróica.

E o longa se restringe a isso. Tem seus méritos, claro, mas não justificando todo o burburinho causado pelo público e por algumas críticas. Não inova na narração, não inova na estética. Kick-Ass, o herói que leva seu nome ao título, é ofuscado pelo glamour de Hit Girl. Mas não só por isso. O próprio é mal desenvolvido. Suas ações não correspondem ao que ele demonstra em algumas cenas. Seu racionalismo não é condizente com sua identidade heróica sonhadora. Na verdade, se você for do público que consegue sentar e assistir ao filme, curtindo os prazeres por ele proporcionados, sem pensar em como e por que o desenrolar se deu daquela forma, verá em Kick-Ass, um ótimo entretenimento. Mas se você busca por respostas, e busca entender a mente do personagem, ficará perdido com tanta caricatura e ações não correspondentes com as personalidades.

Nota: 7,0

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O Pequeno Nicolau (Le Petit Nicolas 2009 – 91 minutos)

Direção: Laurent Tirard

Roteiro:Alain Chabat, Laurent Tirard e Grégoire Vigneron, baseado na HQ de René Goscinny e Jean-Jacques Sempé

Elenco:Máxime Godart, Valérie Lemercier, Kad Merad, Sandrine Kiberlain, François-Xavier Demaison, Michel Duchaussov, Daniel Prévost, Vincent Claude, Charles Vaillant, Victor Carles, Benjamin Averty, Germain Petit Damico

Abordagens infantis feitas para se falarem de assuntos ‘adultos’ são constantemente usadas pela indústria do cinema. Como exemplo, temos os mais recentes Toy Story 3 e Onde Vivem os Monstros, falando do amadurecimento do indivíduo, e dos anseios infantis, respectivamente. Esse saudosismo que paira sobre os cinemas recentemente é bom para os melancólicos apreciadores do cinema, mas quem não vê o total prazer nesses filmes são justamente as crianças. Ora, assuntos tão complexos são raramente compreendidos com a tamanha profundidade proposta pelo realizador. “O Pequeno Nicolau”, filme francês de Laurent Tirard consegue fugir dessa fórmula. Empregando um humor de fácil apreciação, e com um embasamento mais ‘adulto’ nos assuntos, o filme contrasta a imaginação infantil com o sentimento de amizade nas crianças, por vezes tão esquecido nos mais velhos.

A forma cômica, tipicamente infantil de se apresentarem os personagens e se desenrolarem os fatos é um gosto marcante no longa. A pureza das crianças é posta à mostra nas primeiras cenas, quando os garotos demonstram o espanto ao escutarem a história do pequeno polegar que foi abandonado na floresta. E é com essa história na cabeça, que o personagem Nicolau se envolve a tantos problemas: para evitar o abandono. Após escutar um amigo de escola que diz estar com medo de ser rejeitado após os pais terem o segundo filho, Nicolau vê as mesmas características em casa. Logo, arruma jeitos de evitar que a provável nova criança tome seu lugar na casa.

Como mencionado anteriormente, o diretor, Laurent Tirard, usa de várias linguagens para contar sua história. Primeiramente, é contada pelo ponto de vista do garoto, Nicolau. Todas as perspectivas são infantis, e consequentemente, imaginárias e por vezes hilariantes. Segundo, a trilha sonora serve como uma alavanca para os momentos cômicos, e para os dramáticos. Composta por Klaus Badelt (Piratas do Caribe) é memorável, mantém a devida cadência nos momentos certos. E terceiro, a fórmula usada é revigorante a cada momento, fazendo as piadas serem mais engraçadas ao decorrer do desenvolvimento da trama.

O Pequeno Nicolau” é um filme que, apesar de não adicionar muito à formula, revigora gênero. Misturando a comédia de fácil apreciação, e definitivamente, atingindo todos os públicos. O mais adulto: que verá nas crianças uma infância estilizada, despertando em alguns a empatia com os personagens – especialmente os amigos de Nicolau; e o público juvenil, que apreciará a fácil linguagem empregada pelo diretor.

 

Nota: 8,0

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Não são poucos os filmes que tentam explorar os vários aspectos da sociedade, e do ser. É ainda menor o número daqueles que tentam explicar o sentido da vida, seja de forma abstrata ou lógica. E são poucos os que conseguem tal façanha. Tomo a permissão de reduzir esse número a dezenas, se contarmos os que além de bons argumentos, forem verdadeiros deleites audiovisuais. Stalker, de Andrei Tarkovsky, é um dos poucos que conseguem flertar com a percepção do ser e estar. Com um pano de fundo ficcional, Stalker explora os campos metafísicos do ser, da esperança, da humanidade. Por metáforas e belos poemas, o longa constrói consigo uma responsabilidade grande, e com o decorrer da trama, somos brindados com a leveza do ser; com a capacidade humana de fé, ou falta dela.

Para se fazerem tais pregações, o longa usa como metáfora a Zona. O estranho e misterioso lugar, que tem a fama de ser a fonte da felicidade. Com isso, um professor e um escritor procuram um Stalker – homem capaz de levar à salvo pessoas à Zona -, para leva-los ao lugar e conseguirem o que buscam. Chegando lá, deparam com uma vegetação mórbida, e pelo caminho até o Quarto – lugar onde a felicidade estaria residida -, os homens enfrentam conflitos exteriores e interiores.

Os personagens: professor e escritor representam, respectivamente, nossos lados esquerdos – responsável pela parte lógica – e direito – responsável pela parte emocional. Com esse embate de funções, os dois personagens estão em constantes conflitos. Em um desses conflitos, o sentido da vida é posto em discussão, e é proferida pelo Stalker a afirmação de que a música era um exemplo de sentido da vida. A música era a capacidade humana de exercitar o lado lógico e o lado emocional, e desse modo, tocar a alma do ser. Os recursos usados por Tarkovsky também são sublimes. A mudança de coloração, dos tons de cinza da cidade para a multicoloração da Zona é uma alusão à falta de esperança no centro urbano, e consequentemente, a abundância dela na natureza crua.

Sobre a concepção da Zona, vale ressaltar a cena em que a câmera transpassa pelo solo do lugar, e com isso, nos é mostrado todos os valores da sociedade sobre as águas. Símbolos religiosos, dinheiro, armas, tudo o que o ser humano dá valor, na Zona, está destruído. Com isso, temos a idéia de que a Zona simboliza um lugar de inversão de valores. Certo ponto, um dos personagens cogita a possibilidade de se mudar para o lugar, assim não teria as preocupações dos centros urbanos, devido à calma ali encontrada. Além de tudo, a Zona é seletiva, deixando apenas entrarem os oprimidos, os infelizes, mas permitindo a estadia apenas aqueles que respeitarem as regras por ela impostas.

Por fim, o filme trata da busca do ser humano por um lugar de paz, um lugar que dê a paz. E desacreditados, desistem dela por alegarem a falta de lógica. É a descrença humana posta em discussão. Não nos são oferecidas as respostas, mas a busca por elas, assim como a busca dos dois homens pela Zona.

Começara com um projeto musical formado por amigos de classe. Com o tempo, o projeto fora evoluindo, e tomara um nome: Serotonina. A incessante – e falha – busca por um baterista, os levou à utilização de batidas eletrônicas, produzidas pelos próprios. Agora não era mais um projeto. Eduardo, o vocalista, e Ézio, o baixista, se juntaram à Allan K., que se transformara em seu guitarrista e programador, junto com Ézio. Era 2007, e durante esse período fizeram certo sucesso não só em sua cidade natal – Jaraguá do Sul/SC -, mas como também em cidades como São Paulo e Curitiba. Com três demos gravadas, e um videoclipe animado, a banda entra em hiato.

E nesse tempo, as cabeças ferventes de nossos artistas estava à mil, esperando o momento triunfal do retorno. Um ano depois, eles retornam com uma nova formação. Mariana Lapolli assume o vocal, trazendo com ela um vocal doce, e uma beleza que contrasta com a falta dela nos dois rapazes. E assim seguem Mariana no vocal, Ézio no baixo e nas programações, e Allan na guitarra e também nas programações. Com um single gravado em parceria com o selo Micróbio GravaSons, e alguns shows já marcados, o retorno de Serotonina tem tudo para dar certo. Um som melancólico, banhado nas guitarras distorcidas ao maior estilo shoegaze/post-punk. Diferente e interessante. Uma pérola, esperando para ser descoberta e usufruída.

Leia agora a entrevista que me foi concedida pelo guitarrista Allan, contando como fora o tempo que estiveram fora dos palcos, os novos materiais e outros assuntos mais. E acesse o MySpace para escutar as músicas. De preferência, leia enquanto escuta. Uma boa, não?

Enjoy!

Serotonina

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Budapeste – 2009, 113 min

Direção: Walter Carvalho

Roteiro: Rita Buzzar, adaptado do romance de Chico Buarque

Elenco: Leonardo Medeiros, Gabriella Hármoni, Giovanna Antonelli

De todos os romances publicados por Chico Buarque, Budapeste fora o mais premiado, tanto por vendas, quanto pela crítica. Todos que já leram Chico se aventurando pela literatura, sabem que o próprio não é tão bom com a caneta, quanto é com o microfone. A narrativa é acusada de ser fraca. De fato, a narrativa de Budapeste não é das melhores. Chico Buarque se perde na construção de seus personagens e acontecimentos. No fim, Budapeste – o livro – não funciona como um romance, mas como poesia. As passagens em que o personagem demonstra suas paixões, seja por suas mulheres, ou pelo idioma, são belas. Portanto, coube à roteirista Rita Buzzar – sagrada na antiga Rede Manchete – e ao diretor Walter Carvalho – de Central do Brasil -, a árdua missão de adaptar o romance homônimo de Chico Buarque para os cinemas.

O longa, assim como o romance, conta a história de José Costa. Um ghost-writer que, enfrentando crises em sua vida no Rio de Janeiro, vai para Budapeste, e lá conhece Kriska, esta que lhe apresenta a língua e o amor húngaro. Apaixonado pela moça, e pelo conhecimento da língua, Zsosé Kosta – como é chamado em Budapeste -, narra os problemas por ele enfrentado no Rio, e posteriormente, em Budapeste. Casado com uma jornalista egocêntrica, que por oras lhe causa repulsa; pai de um filho que por sua parte não há sentimentos; e um alemão que lhe propõe a produção de um romance que depois de feito, consegue grande sucesso comercial. Levando o alemão ao estrelado, e escondendo a faceta do verdadeiro escritor, José Costa. São por esses problemas, que José vê em Budapeste, e na língua húngara, uma nova forma de se expressar, de buscar novos romances, de viver.

No início, nos é mostrado a personalidade melancólica de José Costa, ao ver seus escritos na boca de outros. O filme é contado pelos olhos de José, ora narrando em terceira pessoa, ora em participando, em primeira pessoa, dos acontecimentos. Seu amor por Kriska, uma húngara que lhe ensina o prazer pela línga, é despertado ao mesmo tempo pelo sentimento pela língua, é grande. As cenas protagonizadas pelo casal, assim como as palavras proferidas por eles, são pura poesia. Poesia e literatura, assim como seus autores, são questões levantadas pelo filme. O confiar nos autores é posto em dúvida, por fim, até a confiabilidade no narrador é questionada. O sexo também é elevado em primeiro plano no longa. O corpo lindo de Giovanna Antonelli, com o livro escondendo seu prepúcio é uma das cenas memoráveis.

A fotografia de Walter Carvalho é linda. Sejam as pequenas passagens no Rio de Janeiro, ou em Budapeste, tudo é retratado por lentes eficientes. Os belos monumentos de Budapeste são valorizados, assim como belos takes nos personagens – ressalto aqui a cena em que José Costa confessa à sua mulher a autoria do livro por ela tão admirado.

Leonardo Medeiros também cumpre bem sua atuação. O ghost-writer frustrado é sublimemente encarnado em seu personagem. Ressalta também sua capacidade com o idioma húngaro, que, mesmo que eu não conheça a língua, não ouvia resquício do sotaque brasileiro/carioca no ator.

Mas nem tudo são rosas. Assim como o romance, o longa apresenta seus erros e incongruências. Para quem leu o romance, as passagens são totalmente plausíveis, pois já temos em mente o sentimento em que o personagem o comete, mas para quem assiste ao filme primeiro, fica difícil. Como explicar o ato do personagem, que assim, do nada, resolve ir a uma cabine telefônica ligar para sua mulher, e vendo que a mesma não se encontra, fica repetindo palavras em português, apenas para escutar os fonemas da língua e matar a saudade – palavra bastante repetida pelo personagem – de sua terra natal? É maior explicado, preparado, os atos do personagem no livro. Graças a sua maior liberdade; não se pode, constantemente, colocar a narração em terceira pessoa no filme, fato tão constante no livro. Então, por ora, o espectador fica confuso quanto aos atos e sentimentos do personagem.

Por fim, Budapeste – o longa – é um bom filme, mas que é prejudicado pelos limites do cinema, em visto de sua obra literária. É sobre o isolamento do personagem, proporcionado por ele mesmo, em sua carreira de ghost-writer. Rita Buzzar não ousa tentar mexer nos parâmetros errôneos do romance, resolve, por respeito ou comodidade, manter a mesma narração prejudicada de Chico Buarque. É uma obra que, ao mesmo tempo em que deixa o espectador a ver uma poesia ser transportada do plano literário para o cinematográfico de bela forma, exige dele a capacidade de compreensão – principalmente por aqueles que não leram o romance -, graças à narrativa de Chico Buarque, que não sofre mudanças, e continua com os mesmos erros no cinema.

 

Nota: 7,0