
127 Horas (127 Hours; 2010 – 94min)
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Danny Boyle, Simon Beaufoy e Aron Ralston, autor de “Between a Rock and a Hard Place”
Elenco: James Franco, Amber Tamblyn, Kate Mara
É inegável o fato de que 2011 é o ano de James Franco. Ainda estamos em fevereiro e o ator já tem vários longas em sua agenda – dou atenção ao curioso e até então sem grandes informações, “prequel” de O Mágico de Oz (1900), dirigido por Sam Raimi. Além disso, Franco está encarregado da tarefa de, junto com a atriz Anne Hathaway, apresentar o Oscar 2011 – cerimônia na qual ele concorre à Melhor Ator.
“127 Horas” é o primeiro filme de Danny Boyle depois do sucesso estrondoso que fora “Quem Quer Ser um Milionário” – aclamado pela Academia e pela crítica. Assim como seu longa anterior, “127 Horas” está no páreo das estatuetas de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado – e, como dito, Franco em Melhor Ator.
Apesar da inevitável analogia, o longa em análise pende mais para o estilo de Danny Boyle usado em “Trainspotting” – filme que garantiu sua entrada para os grandes circuitos cinematográficos. As tomadas rápidas, a montagem frenética e a interposição de tomadas estão carimbadas em ambos os filmes. Diferem apenas em conteúdo. Se o filme de 1997 sustentava um discurso hedonista, quase anárquico; o segundo preza por valores um tanto mais clássicos – os laços familiares, as escolhas erradas, a nostalgia.
Por que, afinal, “127 Horas” se difere dos demais filmes-catástrofes?
Simples. A natureza, em todos os filmes do gênero, é aquela que ataca, agride, desenvolve toda a trama catastrófica. Em “127 Horas”, não. O ambiente nada mais é do que um fator humano na psicologia do personagem. A pedra, que apesar de tão maldita, serve de ferramenta para que Aron Ralston faça uma análise dos acontecimentos de sua vida, para então, vive-la e valoriza-la de forma diferente. O que comprova tal afirmação é a última visão do personagem com a pedra, na qual ele tira uma foto e assume o semblante de um homem que acabou de sofrer uma epifania.
Correndo o risco de flertar com as classificações de “auto-ajuda”, Danny Boyle espanta esse mal com suas cenas quase escatológicas – principalmente aquelas que envolvem o ato final. Novamente, não vejo obstruções que possam ausentar o filme de ser acusado de ufanista, otimista. O que não prejudica sua retórica, de formal alguma, mas podem não agradar àqueles que não compartilham de tal visão.
Afinal, o longa transcende todos seus possíveis rótulos. É mais do que um filme-catástrofe. É mais do que um material de auto-ajuda. É mais do que a melhor atuação de James Franco desde “Milk”. É sobre o ser, e toda sua relação com o meio. Seja ele um canyon traiçoeiro, ou o ambiente familiar.








